Archive for the ‘televisao’ Category

Fogo e Gasolina

julho 29, 2010

(da trilha da novela Passione)

Roberta Sá
Composição: Pedro Luís e Carlos Rennó
Com Lenine

Você é um avião e eu sou um edifício
Eu sou um abrigo e você é um missil
Eu sou a mata e você é a moto-serra
Eu sou um terremoto e você a Terra.

O nosso jogo é perigoso, menina
Nós somos fogo
Nós somos fogo
Nós somos fogo e gasolina.

Você é o fósforo e eu sou o pavio
Você é um torpedo e eu sou um navio
Você é o trem e eu sou o trilho
Eu sou o dedo e você é o meu gatilho.

O nosso jogo é perigoso, menina
Nós somos fogo
Nós somos fogo
Nós somos fogo e gasolina
Nós somos fogo
Nós somos fogo
Nós somos fogo e gás.

Eu sou a veia e você é a agulha
Eu sou o gás e você é a fagulha
Eu sou o fogo e você é a gasolina
Eu sou a pólvora e você a mina.

O nosso jogo perigoso combina
Nós somos fogo
Nós somos fogo
Nós somos fogo e gasolina.

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Sobre a novela Viver a Vida: nada mais que páginas em branco

fevereiro 21, 2010

Fatima Dannemann

Helena nunca foi “mocinha-familia”. Modelo, viajada, chegou a abortar para abocanhar um contrato. Conheceu Marcos, foi direto pro rala e rola. Casou não convenceu nem a si mesma como dona de casa. Foi pra Jordânia, implicou com Luciana que acabou tetraplégica porque a ma-drasta não queria a enteada no mesmo carro que ela. Voltou, nunca se importou com sogra, enteadas nem com os amigos do marido, cai de charme quando encontra Bruno. Então, aquele medo absurdo que Helena sente ao ver Rafaela, a insuportável garotinha filha de Dora a amiga traira que ela abrigou em casa, não convence ninguém. Nem Helena com caras, bocas, gritos. Aliás, nem a novela Viver a Vida convence ninguém. Salvam-se o drama de Luciana com a paralisia e as tentativas de superação.
Nem é preciso falar da interpretação de Tais Araújo que passa boa parte do tempo chorando (sem borrar maquiagem, diga-se de passagem), berrando (o tom de voz da moça é estridente) ou fazendo bicos. Helena não convenceu, não tem bala na agulha pra sustentar uma novela. Se não fossem os personagens secundários, Viver a vida poderia se chamar Páginas em branco. Vida de modelo ou ex-modelo já foi retratada melhor até em novela das sete. Médicos que passam mais tempo na cantina do hospital. Uma “devoradora de homens” que só “pegou” até o momento o namorado de Clarisse, a personagem de Cecília Dassi, aliás, uma grande jovem atriz que está sendo relegada ao ultimo dos planos nesse folhetim.
Dá saudade de Caminho das Índias com Maya, Raj, Komal, o pessoal da Lapa, Norminha, Abel, Tarso. Havia historia no Caminho das Índias. E histórias das boas. Intensas cheias de elementos que deixam os espectadores com vontade de saber mais. Até os dramas de Luciana se arrastam: ela dispensou o gêmeo-chato, Jorge e até hoje não se declarou ao gêmeo-legal, Miguel. E podem ler nos resumos dos próximos capítulos do site da Globo: até março, tudo que vamos ver será um reme-reme que não vai dar em nada. Pior, nem a escandalosa Renata, que está caracterizada como um clone de Amy Winehouse bastante piorado, deu escândalo. Nem vai dar. Ela já encontrou Felipe pra conter seus revertérios e por conta disso o ex-aventureiro se transformou em modelo fotográfico. Muito simples. O que até poderia resultar em eventos interessantes acaba devidamente sufocado pelo clichê dos estúdios. Se o Rio não fosse uma cidade de beleza impar, e alem disso cheia de opções para divertir, praticar esportes radicais ou não, daria para acreditar que Felipe e Bruno resolveram se render as facilidades e deixar de lado a vida de aventura. Ah, e que novela de modelos é essa que não há desfiles só uma foto ou outra?
Outros detalhes são que Manoel Carlos não repete apenas o nome de sua protagonista, mas repete também nomes de outros personagens. Havia um Jorge em Páginas da Vida. Na mesma novela também tinha uma Alice, um Leandro e uma Lívia. Camila Pitanga também se chamava Luciana em Mulheres Apaixonadas. E de novo havia um Leandro. Em Laços de Família, Tony Ramos foi Miguel, Lilia Cabral foi Ingrid. Em Baila Comigo, os personagens principais eram gêmeos. Médicos aparecem em quase todas as tramas do autor. Nas três últimas novelas, muitas cenas aconteceram em hospital e mais: já deu pra notar que bastou uma “maquiagem” para transformar o hospital de Páginas da Vida no local de trabalho de Miguel, Ariane, Ricardo e Ellen. Certo: médicos e hospitais sempre rendem histórias. Mas, em três novelas seguidas há um toque de falta de imaginação. Isto, entretanto, é apenas um detalhe. Pior foi o drama de Sandrinha, irmã de Helena, casada com bandido e morando na favela, cair no esquecimento. Talvez a culpa seja dos atores que nem dão o toque de drama necessário. Seja como for, Páginas em Brancos, oops, er… Viver a Vida, passa do meio ao fim sem dizer a que veio. Ainda bem que só faltam uns dois meses…

Telas e Palcos: Pinceladas na programação

outubro 29, 2009

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Alguem precisa dar um toque nos apresentadores da TV brasileira. Erros de português grosseiros tem sido ouvidos até na poderosa Globo. Outro dia, Ana Maria Braga soltou algo como “peça para eu”. Fernanda Lima abusou tanto do “tu vai”, “tu quer” que doeu nos ouvidos até de quem não liga para erros de concordância.

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Viver a vida aos poucos vai mostrando suas tramas. Está mais ou menos evidente que Tais Araujo não emplacou (pelo menos até agora) como protagonista. Alinne Moraes vai dando show a parte com sua Luciana. José Mayer está um galã muito ferino e mau humorado tratando as mulheres quase como lixo. Não dá.

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Apesar da atuação forçada de estrelas de ocasião como Heloisa Perissé e da vilã da vez Paola Oliveira (que está com a boca estranha parecendo que colocou excesso de botox, será?) Cama de Gato vem agradando ao público. Camila Pitanga como a doce Rose, Marcos Palmeira e os veteranos valem o esforço em acompanhar a historia.

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A Globo resolveu “colar” uma novela na outra a exemplo do que a Record já faz há algum tempo. Assim, mal a divertida Caras e Bocas termina já começa o dramalhão das nove, Viver a Vida. Falando em Viver a Vida as imagens da Jordânia valem os capítulos desta semana. Só não convence duas coisas, uma delas semana de moda em país mulçumano, segunda, uma modelete fazer questão de desfilar em Petra. Não convenceu.

Telas e Palcos: Pingos sobre realities, programação de domingo e etc…

agosto 24, 2009

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Enfim, A Fazenda chegou a decisão, no ultimo domingo, sem qualquer surpresa: falava-se por ai que Dado Dolabela seria o favorito da emissora, a Rede Record, para ganhar o programa. Bom, ele ganhou. Quem votou em Danni Carlos, gastou dedo teclando mensagens, discando telefones ou votando na net, e dinheiro de torpedo…

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Atuando ou sendo sincero, Dolabela cumpriu seu papel – que talvez tenha sido o de limpar sua imagem de menino mau. Venceu. Contra ou a favor, fazer o que? Brito Junior, nos momentos finais do programa, advertia a cada minuto: “a responsabilidade é do povo”, “o povo é quem escolheu”…

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Seja como for, Danni Carlos, que sai do programa com novas músicas, um carro zero, uma ovelhinha de pelucia e a fama de não gostar de tomar banho, desbancou as boazudas, fofoletes, mocinhas bonitinhas e as nem tão boazinhas assim e ficou em segundo lugar.

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O domingo da final do reality da Record, aliás, foi animado: na Globo, Fantastico e No Limite. Uma das raras vezes nos ultimos tempos, aliás, que o Fantástico (que vai de mal a pior) trouxe algumas coisas interessantes. O SBT colocou no ar o polêmico, mas excelente filme, “Alexandre” de Oliver Stone.

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Enquanto isso, a Band apresentou a transmissão ao vivo do Concurso Miss Universo esse ano apresentado num megaresort nas Bahamas. A brasileira Larissa Costa, apesar de muito bonita, ficou de fora das finalistas. O grupo escolhido pelos jurados privilegiou o Leste Europeu incluindo uma sem sal Miss Croacia e uma Miss Kossovo com um dos penteados mais feios da historia do programa. Ganhou uma versão da barbie latino americana que representou a Venezuela (e nem foi a mais bonita de todas).

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Reality por reality, o concurso de Miss Universo é talvez o mais antigo deles: as meninas ficam “confinadas” em um resort, submetem-se a um regime de desfiles, treinos, ensaios, fotos, entrevistas enorme, convivem, brigam, fazem amizades e no fim são eleitas por um corpo de jurados para depois disso viver seus 365 dias de fama em Nova York.

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Notas esparsas sobre novelas, futebol, realities shows e um funeral…

julho 9, 2009

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Bizarro. Assim se define o furdunço que se criou em torno do funeral de Michael Jackson esta semana em Los Angeles. A ultima de algumas midias foi de inventar que o cantor não foi enterrado. Não foi enterrado nas vistas do público. Para este, o circo montado num estádio e transformado em megashow. Se isto agradaria ou não ao astro, não se sabe. Mas não agradou a Elizabeth Taylor que deitou falação contra e não compareceu a fest… ops, a cerimônia.

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Enquanto isto, as TVs interrompiam toda a sua programação. Por conta do enterro de Michael não teve Sessão da Tarde, Vale a Pena ver de novo, Marcia Goldschmidt e todos os outros programas que enchem a grade das emissoras (e em alguns casos a paciência dos espectadores, já que a programação vespertina das TVs vai de mal a pior).

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E a tradução simultânea? Na Globo estava uma “chose de loque”. A moça traduzia os discursos e o repórter consertava. A tradutora chegou a confundir as palavras “amusing” e “amazing” e traduzir um pelo outro. Pegou mal.

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Enquanto isto, Malhação e a novela das seis vão de mal a pior. Uma já deu o que falar e a outra é uma reprise de uma historia que não tem nada a ver, apenas uma tentativa talvez de homenagear Pantanal (esta sim, um sucesso, daqueles que só se escreve uma vez)

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Paulada na moleira da Globo e de toda a midia foi Dunga e o Brasil faturarem a Copa das Confederações com um time bom, coeso e sem nenhuma das “estrelas” (apagadas, aliás) impostas pelos patrocinadores. Não precisou de nenhum fenomeno, nenhum imperador, nem nenhum gaucho pra ganhar o jogo. Mas – sempre tem um mas, infelizmente – já estão que nem urubu agourando a sorte do Brasil na Copa de 2010. É… realmente ninguem gosta de ver ninguem bem… Ainda mais quando não se participa diretamente das coisas.

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E alguem comentou: e se em vez de Michael Jackson tivesse sido Roberto Carlos? Bom, ainda bem que não foi…

Que fim levou: Heloisa Millet mora em Goiás e dedica-se a pintura

junho 17, 2009

em novelas do horário das sete horas: Estúpido Cupido, Te Contei e outras e nos anos seguintes sumiu das vistas do grande público. Nascida no Rio de Janeiro em 1949, Heloisa Millet foi descoberta por Ziembinski, trabalhou em novelas, cinema, até que casou com o escritor Carlos Pacini e foi morar em Goiás onde descobriu um novo talento: a pintura.
Sua última participação em novelas foi em 1982 em Terras do Sem Fim e Estúdio A…Gildo. Já no cinema, ela gravou até 2003, participando de As Tranças de Maria. Numa entrevista a revista contigo em 1994, Heloisa disse estar gostando da nova vida e ao que tudo indica não voltará mais as telas.

Fontes: wikipedia, site memória da TV, imdb (em inglês), elenco brasileiro

a volta do No Limite

maio 19, 2009

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Guerra de realities: nem acabou Aprendiz 6, e a Record anuncia A Fazenda. Na Globo comenta-se a volta do radical e polêmico No Limite.

 

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Sessão da tarde: nunca se viu tanta reprise e tanta violência num mesmo horário. Será que a Globo não sabe que existe algo mais do que ação e filmes da Barbie em Hollywood?

 

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Ridícula. Assim podemos resumir a participação da “papagaia” Maria Loura no programa Mais Você. Colocar um ator fazendo transformou a ave numa drag queen. Lamentável.

 

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Violência nas novelas da Record está excedendo todos os limites. Poder Paralelo, Caminho do Coração parte 3, só falta escorrer sangue na sala dos espectadores.

 

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Se for igual ao livro “Anjos e Demônios”, com Tom Hanks que estreou sexta passada, vai ser muito chato. Dan Brown força a barra mesmo. E não convence.

 

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As emissoras de televisão resolveram fazer verdadeira apologia da cirurgia bariátrica como “única forma de emagrecer”. Resultado: os médicos agora atendem de 10 em 10.

 

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Débora Secco vai se casar. Isso é quase fato consumado. A questão é se ela vai morar no Qatar. Para quem gosta de aparecer como ela, há quem ache uma tarefa impossível.

 

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E Raj, heim? Ganhou a preferência da mulherada do Brasil inteiro, mesmo que ele não tenha sido exatamente correto com Duda. É só conferir Caminho das Índias e ver.

 

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Escalado para ser o galã da vez, o Bahuam de Marcio Garcia acabou meio apagado e sem muita função na história. Parece que agora vai virar bandido. Será?

estilo BBB9

março 19, 2009

Josiane usa muito preto no olho. Fica parecendo uma máscara e dar um ar de má… O que não precisa. Ela é bonita naturalmente.

Michelle, a primeira eliminada, é a patricete da vez. Bem fashionzinha, bem grifezinha, mas não costuma passar as roupas a ferro (seus vestidos só apareciam machucados).

Fran é a campeã de roupas bizarras da vez. pena, porque de rosto, ela é a mais bonita. Mas quando aparece de vestido, bonezinho, lacinho e meia de força, putzz…

Ana Carolina, pelo menos nas fotos e no vídeo, faz o gênero normalzinha…

Milena é fashion bem urbana e casual. Mas bem que podia tirar a água oxigenada do cabelo.

Josiane usa muito preto no olho. Fica parecendo uma máscara e dar um ar de má… O que não precisa. Ela é bonita naturalmente.

Michelle, a primeira eliminada, é a patricete da vez. Bem fashionzinha, bem grifezinha, mas não costuma passar as roupas a ferro (seus vestidos só apareciam machucados).

Fran é a campeã de roupas bizarras da vez. pena, porque de rosto, ela é a mais bonita. Mas quando aparece de vestido, bonezinho, lacinho e meia de força, putzz…

Ana Carolina, pelo menos nas fotos e no vídeo, faz o gênero normalzinha…

Milena é fashion bem urbana e casual. Mas bem que podia tirar a água oxigenada do cabelo.

Bruxas pós-modernas

outubro 15, 2008

Dizem as crenças, que as bruxas ficam soltas na virada do mês de outubro para o mês de novembro. Hoje carnavalizado, o Halloween, ou Dia das Bruxas, 31 de outubro, era originalmente o primeiro dos três dias do festival celta que marcava a passagem do ano. Nesse período (que deu também origem ao dia de todos os santos e ao dia de finados), abriam-se os portais dos céus e inferno e era preciso lanternas, danças, rituais para deixar o mundo a salvo da “galera do mal”. Muitas das crenças se passaram, nas histórias infantis a bruxa passou a ser comparada ao mal e hoje, sem vassoura, maçãs envenenadas mas com dose exagerada de frieza e violência, as vilãs de novelas, filmes e livros acabam roubando a cena. Flora, Violeta, Vilma, muda o nome, mas a maldade, assustando ou não, é sempre a mesma.

 

Maria de Fátima Dannemann

 

           Flora, Violeta, Frau Herta, Odete Roitman, Nazaré Tedesco nas novelas. As loiras geladas de thrillers dos anos 80 e 90 como “A mão que balança o berço”, “corpos ardentes” e “instinto selvagem” no cinema. Chefas carrascas como Miranda Priestl em O Diabo Veste Prada. Aproveitando-se da fraqueza as mocinhas (mal escritas ou mal interpretadas e transformadas de “boazinhas” em “burras”, com raras exceções), essa “galera do mal” acabou deixando sua marca no público. De quem seria a culpa? Da eterna impunidade dos maus ou da fragilidade do bem que só triunfa no final da história?

           Numa entrevista, certa vez, a atriz Suzana Vieira declarou que preferia fazer a vilã porque elas acabavam por ter mais conteúdo. Entretanto, foi a mesma Suzana que interpretou uma das heroínas mais “retadas” dos últimos tempos: Maria do Carmo Ferreira da Silva, da novela Senhora do Destino. Nesta novela, além de mostrar que o bem compensa, a mocinha revela que meninas boazinhas sabem bater e a vingança é um prato que se come frio. A cena se tornou antológica e muita gente se lembra dos mínimos detalhes.

           Madrugada. A pernambucana Maria do Carmo (Suzana Vieira) impecavelmente vestida com um terninho branco, jóias de brilhante e saltos 10 entra no galpão abandonado onde lhe espera disfarçada com peruca negra e óculos escuros Nazaré (Renata Sorrah). Além da maleta com dólares falsos (uma mala de grife naturalmente), Do Carmo esquece por minutos a fama de rica, mãezona e defensora dos pobres e oprimidos e dá uma surra na loiraça que roubou sua filha Lindalva há mais de 20 anos, deixando-a completamente estropiada. A sensação de justiça feita é tanta que o espectador esquece a selvageria e a violência e aplaude o gesto quase insano da mãe que esperou por aquele momento toda sua vida. Enquanto tudo isto acontecia na telinha da Globo, o Ibope apurava um índice de audiência que a Globo não assistia há mais de duas décadas desde que morreu Janete Clair, a maior teledramaturgia (ou telenovelista?) que o Brasil já teve.

 

             Sangue Frio

 

            Numa sociedade em que o medo é considerado “fraqueza” e mesmo coisas piores como “distúrbios” e até “doença mental”, talvez as “ordinárias” impressionem pelo sangue frio. Todas as noites, as nove, na Globo, e as 10h30, na Record, as atrizes Patrícia Pillar e Lucinha Lins provocam medo, indignação, revolta e até uma certa dose de admiração pelas vilãs Flora, em A Favorita (Globo) e Vilma, em Chamas da Vida (Record). As duas histórias são bem diferentes, mas passam por inveja, disputas pessoais, ambição por riqueza e poder e outros ingredientes “clássicos”. Flora é uma assassina fria que já “apagou” três pessoas, tentou outros dois assassinatos e é movida pela inveja doentia que sente de Donatella (Claudia Raia), personagem que começou como uma perua vazia e fútil e se transformou na injustiçada doce e preocupada com o próximo. Vilma é incendiária, mãe relapsa, assassina e além de todos os crimes tenta convencer o filho Tomas a dar o golpe em Carolina, herdeira de uma fábrica de sorvetes.

           As armas das bruxas pós-modernas passam longe de vassouras e são muito mais letais do que simples maçãs envenenadas. Frau Herta (Ana Beatriz Nogueira) abusou de todas no remake de Ciranda de Pedra até se dar mal no “Zé fini” da trama quando foi envenenada por Natércio (Daniel Dantas), um bandido pior ainda. Laura Prudente da Costa (Claudia Abreu) em Celebridade foi outra vilã pra lá de clássica ao cometer todas as maldades: fraude, falso testemunho, roubo, assassinato e até prostituição e tráfico de drogas. Taís (Alessandra Negrini) em Paraíso Tropical foi pior ainda: o alvo de suas maldades era a própria família: avô, tio e a irmã-gêmea.

         Mas, alguma coisa mudou nas vilãs e bruxas que antes apenas davam sonoras gargalhadas e hoje morrem de medo de serem denunciadas e capturadas pelos representantes da lei e da ordem. Para isso até matam como fez Flora eliminando Maira (Juliana Paes) e Dr Salvatore (Walmor Chagas). Elas também se roem de despeito ao ver o bem sempre triunfar de um jeito e de outro, chegam as raias da loucura de ódio de ver que as rivais mesmo sofrendo perdas são capazes de dar a volta por cima, arregaçar as mangas, trabalhar, ou mesmo buscar um novo amor (é esse o caso da “sub-vilã” Céu com relação a Lara e Alicia ao ser condenada a um casamento de fachada enquanto as rivais se dão bem).

         As boazinhas já não são tão passivas como antigamente. Donatella luta para provar sua inocência e se vingar de Flora e todos os outros maus. Mas exemplo de que as coisas são bem diferentes nesses tempos pós-modernos estão nos desenhos animados. As pequenas Lindinha, Docinho e Florzinha (no original Bubbles, Buttercup e Blosson) as vezes rodam a baiana, extrapolam na pancadaria, fazem tramóias com bandidos ou usam pequenos truques que seriam inadimíssiveis em outras épocas. A heroína brasileira, Mônica, tem eternos seis anos de idade, é dentuça, parece o Ronaldinho, distribui coelhadas nos próprios amigos, mas defende sempre as boas causas. Prova que a novela, os filmes, os desenhos e os quadrinhos não imitam a moda e dispensam as Barbies.

          Mas, o estereótipo do mal continua dando Ibope. Gente corre para casa só para ver a maldade da bruxa da novela das seis e mesmo as candidatas a bruxa da Malhação, como Yasmin e Débora. Em outros tempos, as bruxas de histórias como Branca de Neve, Rapunzel, A Bela Adormecida, eram madrastas, fadas degeneradas ou senhoras feudais que abusavam do poder. Hoje, elas retratam um mal maior: a violência que está em toda parte e parece quase invencível e até mesmo “consentida” por alguns setores da sociedade.