Archive for the ‘pop’ Category

In Memoriam: Ninguém Poderá Julgar-me

abril 30, 2017

Jerry Adriani

Que a verdade me faz mal eu sei
O que ela faz é a mim, não a ti

Ninguém poderá julgar-me
Nem mesmo tu
(que a verdade é malvada eu sei)
Meu erro eu fiz a meu modo
Não estavas tu
(que a verdade é malvada eu sei)
Te vias pensando em mim
Ficou bem contente em ver
Que há muita gente que
Se enganou assim
Sem saber porque

Eu tinha direito a sorte que escolhi
às vezes aos desenganos até sorri
Se volto a te procurar
Te basta saber enfim
Na certa algum anjo bom
Devolveu-me a ti e aqui estou

Se enganei-me um dia
Agora é que compreendi
Que custou-me caro o que perdi
Ao abrir-me os braços verás porque
Confiei a ti o que espero ter

Muito, muito mais que antes
Eu te amarei
E direi a todos somente tu
E nenhuma outra em meu futuro
Me ensinará que fazer de mim

 

Que fim levou: Rouge – dez anos depois, as meninas do Ragatanga foram trabalhar no Hair

fevereiro 7, 2012

Quem diria, mas depois de uma carreira meteorica que rendeu indicação para o Grammy, participação em vários programas de TV e pelo menos um mega sucesso, a música Ragatanga, o grupo Rouge, descoberto nos estudios do SBT no começo deste século XXI, cairia no limbo do esquecimento. Pois é. O fenômeno de 2002 e 2003 acabou, suas participantes seguem carreira solo, algumas delas se dedicando a músicais, como Aline Silva e Karin Hills que trabalharam na nova versão do musical Hair.
A memória do povo com relação a certos idolos é muito curta. Ragatanga, Rouge e mesmo o programa Pop Star se tornaram apenas verbetes em sites de busca. O grupo foi extinto em 2005 após quatro CDs, o último dele com 100 mil cópias vendidas, um número timido e menos de dez por cento dos 1,8 milhão vendidos pelo primeiro disco. Elas chegaram a aparecer na novela Dance Dance Dance, em 2007, mas foi tudo.
O grupo, formado por Luciana Andrade, Patrícia Lissa (posteriormente chamada Lissah Martins), Aline Silva, Fantine Thó e Karin Hils lotou centenas de shows, estrelou comerciais e programas de TV, além de terem comercializado milhares de produtos licenciados como álbum de figurinhas, sandálias, bonecas, entre outros. Em quatro anos de carreira o grupo, considerado a maior girl band do país, vendeu em torno de três milhões de cópias com quatro álbuns de estúdio, um álbum remix e três DVDs lançados. O grupo recebeu ao todo um disco de diamante, um de platina duplo, dois discos de platina e dois de ouro, pela ABPD, a Associação Brasileira dos Produtores de Discos. Além disso o grupo ainda recebeu certificado de disco de diamante pelo DVD A Festa dos Seus Sonhos e de platina por O Sonho de Ser Popstar.
Onde elas andam hoje? Luciana, a primeira a anunciar sua saida, em 2004, participou de CDs dos artistas Marcelo Yuka (O Rappa) e do ex-Titã Ciro Pessoa, do qual faz parte da banda. Também participou do musical “Into The Woods… Era Uma Vez”, como Cinderella. Após ter-se desligado do Rouge, seguiu estudando e trabalhando com música. A cantora tem como influências Beatles, Tom Waits e Sarah McLachlan.
Aline resolveu seguir carreira solo mas foi para os palcos de Hair ao lado de Karin.
Fantine trabalhou em um estúdio e fez shows em bares de São Paulo acompanhada pelo irmão, o guitarrista John Thó. Tornou-se mãe em 2007.
Karin está no elenco de Aquele Beijo como Bernadete. Lissah, como é chamada agora Patricia, vem se dedicando especialmente aos musicais e foi protagonista em Miss Saigon eme A Bela e a Fera, casou-se com um músico e pretende fazer faculdade.

John Lennon: A bala não calou o ídolo ainda cultuado em todo o mundo

agosto 31, 2011

Imagine o mundo sem John Lennon e nunca teria havido os Beatles. Imagine o mundo sem os Beatles e nunca haveria um submarino amarelo, ou quatro rapazes do alto de uma montanha gritando Help. Mas, um adolescente louco imaginou o mundo sem Johnn e calou a voz do compositor e poeta em plena luz do dia, com alguns tiros, por amor a Jodie Foster. Hoje, pouco mais de duas décadas depois de sua morte, em 8 de dezembro de 1980, o criador dos Beatles ainda é cultuado no mundo inteiro como um messias da era pop.

Maria de Fatima Dannemann

Manhã em Liverpool, alguém mostra um parque e diz: “Strawberry field, onde John e Paul criaram a música Strawberry fields forever”. Manhã em Nova York, alguém mostra uma área no Central Park e diz: “strawberry field, lugar que inspirou John e Paul e criar a música Strawberry fields forever”. Qual o correto, qual o errado, não se sabe. Única certeza, Liverpool e Nova York estiveram ligados a vida de John Lennon, o cérebro e criador do maior grupo pop-rock de todos os tempos, The Beatles, como seu berço e seu túmulo. Na cidade da ilha européia, Inglaterra, John nasceu, cresceu, reuniu os Beatles. Em Nova York, John recolheu-se depois do fim do grupo, viveu com Yoko Ono e foi assassinado na porta do prédio onde morava.

Menos de três décadas se passaram entre a ingênua baladinha rocker Please,please-me e a intensa Woman, hit de seu ultimo disco. Mas, entre o final dos anos 50 e o começo dos anos 80, John e seus companheiros Paul Mc Cartney, George Harrison e Ringo Star tiveram uma vida intensa. Saíram dos bairros portuários de Liverpool diretamente para o Palácio da Rainha, disseram ser mais populares que Jesus Cristo, fizeram vivências com guru indiano quando isto ainda não era moda e, supresa das surpresas: separaram-se no auge da fama virando mito para sempre.

História

Corta!!! Para entender John Lennon é preciso voltar muito atrás no tempo. Final da guerra. Liverpool arrasada e pobre. Nasciam, separadamente e em anos distintos John, Paul, Ringo e George (também já falecido). Nasciam também Pete Best, o famoso quinto beatle que ainda vive, em algum lugar da Inglaterra, sem tocar ou cantar e afastado da música, e Stu Sutcliff, o bonitão, que entrou em reta de colisão com Paul por causa de uma namorada alemã, ficou em Hamburgo e morreu prematuramente de hemorragia cerebral enquanto os Beatles, com Ringo e sem Pete, seguia o caminho da fama.

John tinha pai desconhecido e a mãe é o que bem poderíamos classificar como “porraloca”. Foi criado pela Tia Mimi e, como todos os outros beatles, viveu tempos de dureza no período pós-guerra. John gostava de música, juntou os outros amigos e formou o Quarrymen tocando no cavern clube. Alguém sugeriu outro nome e Beatles junta besouro (beetle) com a cultura beatnik em moda nos anos 60. Foram a um show em Hamburgo, gravaram um disco na Alemanha, ocorreram as mudanças. Stu ficou com a namorada, Pete foi afastado, Ringo entrou na bateria. Descobertos pelos produtores gravaram o primeiro disco.

E o resto, toda a humanidade já sabe: de repente, aqueles quatro cabeludos, com terninhos iguais cantando canções ingênuas como “she loves me” ganhavam o mundo. E o cinema. Os reis do ieieie (a hard day’s night) que está sendo lançado em dvd foi o primeiro. Depois veio Help, com disco e acenando com alguma mudança no estilo musical do grupo. As baladinhas agradavam, claro, mas os rapazes estavam dispostos a vôos maiores. Yellow Submarine – disco e desenho animado absolutamente lisérgico – já adentrava um caminho que só anos depois outras bandas iriam trilhar.

As ousadias musicais tomaram o lugar das baladas. Um reggae no álbum branco, uma Eleanor Rigby com Paul cantando com quartetos de corda. Composições e estilos cada vez mais individuais. John e Paul de “estrelas absolutas”, George mais zen-intimista, e Ringo espertamente cantando, com voz grave, ‘a little help from my friends” mantendo-se em cima do muro e amigo de todos. Egos inflados, o grupo se despediu com Abbey Road. Depois disso ainda foi lançado um disco e filme, Let it Be, mas o quarteto de Liverpool não existia mais.

De quem foi a culpa? As más línguas culpam Yoko Ono, segunda mulher de John, outras culpam Linda Eastman, mulher de Paul. Há quem jogue a culpa em George, cuja mulher, aliás, fugiu com Eric Clapton, seu melhor amigo, e que compôs para ela a inspiradíssima Layla. Culpados ou inocentes, os quatro foram seguir carreiras solo e estavam “na sua” quando John, ao voltar de um passeio com Yoko foi baleado na porta do Edifício Dakota, em Nova York, hoje ponto turístico exatamente por conta desse detalhe trágico. A bala pode ter matado a pessoa, mas o ídolo permanece e hoje Imagine, sua composição solo mais famosa, se torna um verdadeiro hino dos anos do desbunde, cantado até pelos “caretas” e amado até por quem nunca dormiu em sleeping bag ou nunca sonhou.