Archive for the ‘comportamento’ Category

John Lennon: A bala não calou o ídolo ainda cultuado em todo o mundo

agosto 31, 2011

Imagine o mundo sem John Lennon e nunca teria havido os Beatles. Imagine o mundo sem os Beatles e nunca haveria um submarino amarelo, ou quatro rapazes do alto de uma montanha gritando Help. Mas, um adolescente louco imaginou o mundo sem Johnn e calou a voz do compositor e poeta em plena luz do dia, com alguns tiros, por amor a Jodie Foster. Hoje, pouco mais de duas décadas depois de sua morte, em 8 de dezembro de 1980, o criador dos Beatles ainda é cultuado no mundo inteiro como um messias da era pop.

Maria de Fatima Dannemann

Manhã em Liverpool, alguém mostra um parque e diz: “Strawberry field, onde John e Paul criaram a música Strawberry fields forever”. Manhã em Nova York, alguém mostra uma área no Central Park e diz: “strawberry field, lugar que inspirou John e Paul e criar a música Strawberry fields forever”. Qual o correto, qual o errado, não se sabe. Única certeza, Liverpool e Nova York estiveram ligados a vida de John Lennon, o cérebro e criador do maior grupo pop-rock de todos os tempos, The Beatles, como seu berço e seu túmulo. Na cidade da ilha européia, Inglaterra, John nasceu, cresceu, reuniu os Beatles. Em Nova York, John recolheu-se depois do fim do grupo, viveu com Yoko Ono e foi assassinado na porta do prédio onde morava.

Menos de três décadas se passaram entre a ingênua baladinha rocker Please,please-me e a intensa Woman, hit de seu ultimo disco. Mas, entre o final dos anos 50 e o começo dos anos 80, John e seus companheiros Paul Mc Cartney, George Harrison e Ringo Star tiveram uma vida intensa. Saíram dos bairros portuários de Liverpool diretamente para o Palácio da Rainha, disseram ser mais populares que Jesus Cristo, fizeram vivências com guru indiano quando isto ainda não era moda e, supresa das surpresas: separaram-se no auge da fama virando mito para sempre.

História

Corta!!! Para entender John Lennon é preciso voltar muito atrás no tempo. Final da guerra. Liverpool arrasada e pobre. Nasciam, separadamente e em anos distintos John, Paul, Ringo e George (também já falecido). Nasciam também Pete Best, o famoso quinto beatle que ainda vive, em algum lugar da Inglaterra, sem tocar ou cantar e afastado da música, e Stu Sutcliff, o bonitão, que entrou em reta de colisão com Paul por causa de uma namorada alemã, ficou em Hamburgo e morreu prematuramente de hemorragia cerebral enquanto os Beatles, com Ringo e sem Pete, seguia o caminho da fama.

John tinha pai desconhecido e a mãe é o que bem poderíamos classificar como “porraloca”. Foi criado pela Tia Mimi e, como todos os outros beatles, viveu tempos de dureza no período pós-guerra. John gostava de música, juntou os outros amigos e formou o Quarrymen tocando no cavern clube. Alguém sugeriu outro nome e Beatles junta besouro (beetle) com a cultura beatnik em moda nos anos 60. Foram a um show em Hamburgo, gravaram um disco na Alemanha, ocorreram as mudanças. Stu ficou com a namorada, Pete foi afastado, Ringo entrou na bateria. Descobertos pelos produtores gravaram o primeiro disco.

E o resto, toda a humanidade já sabe: de repente, aqueles quatro cabeludos, com terninhos iguais cantando canções ingênuas como “she loves me” ganhavam o mundo. E o cinema. Os reis do ieieie (a hard day’s night) que está sendo lançado em dvd foi o primeiro. Depois veio Help, com disco e acenando com alguma mudança no estilo musical do grupo. As baladinhas agradavam, claro, mas os rapazes estavam dispostos a vôos maiores. Yellow Submarine – disco e desenho animado absolutamente lisérgico – já adentrava um caminho que só anos depois outras bandas iriam trilhar.

As ousadias musicais tomaram o lugar das baladas. Um reggae no álbum branco, uma Eleanor Rigby com Paul cantando com quartetos de corda. Composições e estilos cada vez mais individuais. John e Paul de “estrelas absolutas”, George mais zen-intimista, e Ringo espertamente cantando, com voz grave, ‘a little help from my friends” mantendo-se em cima do muro e amigo de todos. Egos inflados, o grupo se despediu com Abbey Road. Depois disso ainda foi lançado um disco e filme, Let it Be, mas o quarteto de Liverpool não existia mais.

De quem foi a culpa? As más línguas culpam Yoko Ono, segunda mulher de John, outras culpam Linda Eastman, mulher de Paul. Há quem jogue a culpa em George, cuja mulher, aliás, fugiu com Eric Clapton, seu melhor amigo, e que compôs para ela a inspiradíssima Layla. Culpados ou inocentes, os quatro foram seguir carreiras solo e estavam “na sua” quando John, ao voltar de um passeio com Yoko foi baleado na porta do Edifício Dakota, em Nova York, hoje ponto turístico exatamente por conta desse detalhe trágico. A bala pode ter matado a pessoa, mas o ídolo permanece e hoje Imagine, sua composição solo mais famosa, se torna um verdadeiro hino dos anos do desbunde, cantado até pelos “caretas” e amado até por quem nunca dormiu em sleeping bag ou nunca sonhou.

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Telas e Palcos: Pingos sobre realities, programação de domingo e etc…

agosto 24, 2009

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Enfim, A Fazenda chegou a decisão, no ultimo domingo, sem qualquer surpresa: falava-se por ai que Dado Dolabela seria o favorito da emissora, a Rede Record, para ganhar o programa. Bom, ele ganhou. Quem votou em Danni Carlos, gastou dedo teclando mensagens, discando telefones ou votando na net, e dinheiro de torpedo…

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Atuando ou sendo sincero, Dolabela cumpriu seu papel – que talvez tenha sido o de limpar sua imagem de menino mau. Venceu. Contra ou a favor, fazer o que? Brito Junior, nos momentos finais do programa, advertia a cada minuto: “a responsabilidade é do povo”, “o povo é quem escolheu”…

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Seja como for, Danni Carlos, que sai do programa com novas músicas, um carro zero, uma ovelhinha de pelucia e a fama de não gostar de tomar banho, desbancou as boazudas, fofoletes, mocinhas bonitinhas e as nem tão boazinhas assim e ficou em segundo lugar.

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O domingo da final do reality da Record, aliás, foi animado: na Globo, Fantastico e No Limite. Uma das raras vezes nos ultimos tempos, aliás, que o Fantástico (que vai de mal a pior) trouxe algumas coisas interessantes. O SBT colocou no ar o polêmico, mas excelente filme, “Alexandre” de Oliver Stone.

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Enquanto isso, a Band apresentou a transmissão ao vivo do Concurso Miss Universo esse ano apresentado num megaresort nas Bahamas. A brasileira Larissa Costa, apesar de muito bonita, ficou de fora das finalistas. O grupo escolhido pelos jurados privilegiou o Leste Europeu incluindo uma sem sal Miss Croacia e uma Miss Kossovo com um dos penteados mais feios da historia do programa. Ganhou uma versão da barbie latino americana que representou a Venezuela (e nem foi a mais bonita de todas).

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Reality por reality, o concurso de Miss Universo é talvez o mais antigo deles: as meninas ficam “confinadas” em um resort, submetem-se a um regime de desfiles, treinos, ensaios, fotos, entrevistas enorme, convivem, brigam, fazem amizades e no fim são eleitas por um corpo de jurados para depois disso viver seus 365 dias de fama em Nova York.

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Bruxas pós-modernas

outubro 15, 2008

Dizem as crenças, que as bruxas ficam soltas na virada do mês de outubro para o mês de novembro. Hoje carnavalizado, o Halloween, ou Dia das Bruxas, 31 de outubro, era originalmente o primeiro dos três dias do festival celta que marcava a passagem do ano. Nesse período (que deu também origem ao dia de todos os santos e ao dia de finados), abriam-se os portais dos céus e inferno e era preciso lanternas, danças, rituais para deixar o mundo a salvo da “galera do mal”. Muitas das crenças se passaram, nas histórias infantis a bruxa passou a ser comparada ao mal e hoje, sem vassoura, maçãs envenenadas mas com dose exagerada de frieza e violência, as vilãs de novelas, filmes e livros acabam roubando a cena. Flora, Violeta, Vilma, muda o nome, mas a maldade, assustando ou não, é sempre a mesma.

 

Maria de Fátima Dannemann

 

           Flora, Violeta, Frau Herta, Odete Roitman, Nazaré Tedesco nas novelas. As loiras geladas de thrillers dos anos 80 e 90 como “A mão que balança o berço”, “corpos ardentes” e “instinto selvagem” no cinema. Chefas carrascas como Miranda Priestl em O Diabo Veste Prada. Aproveitando-se da fraqueza as mocinhas (mal escritas ou mal interpretadas e transformadas de “boazinhas” em “burras”, com raras exceções), essa “galera do mal” acabou deixando sua marca no público. De quem seria a culpa? Da eterna impunidade dos maus ou da fragilidade do bem que só triunfa no final da história?

           Numa entrevista, certa vez, a atriz Suzana Vieira declarou que preferia fazer a vilã porque elas acabavam por ter mais conteúdo. Entretanto, foi a mesma Suzana que interpretou uma das heroínas mais “retadas” dos últimos tempos: Maria do Carmo Ferreira da Silva, da novela Senhora do Destino. Nesta novela, além de mostrar que o bem compensa, a mocinha revela que meninas boazinhas sabem bater e a vingança é um prato que se come frio. A cena se tornou antológica e muita gente se lembra dos mínimos detalhes.

           Madrugada. A pernambucana Maria do Carmo (Suzana Vieira) impecavelmente vestida com um terninho branco, jóias de brilhante e saltos 10 entra no galpão abandonado onde lhe espera disfarçada com peruca negra e óculos escuros Nazaré (Renata Sorrah). Além da maleta com dólares falsos (uma mala de grife naturalmente), Do Carmo esquece por minutos a fama de rica, mãezona e defensora dos pobres e oprimidos e dá uma surra na loiraça que roubou sua filha Lindalva há mais de 20 anos, deixando-a completamente estropiada. A sensação de justiça feita é tanta que o espectador esquece a selvageria e a violência e aplaude o gesto quase insano da mãe que esperou por aquele momento toda sua vida. Enquanto tudo isto acontecia na telinha da Globo, o Ibope apurava um índice de audiência que a Globo não assistia há mais de duas décadas desde que morreu Janete Clair, a maior teledramaturgia (ou telenovelista?) que o Brasil já teve.

 

             Sangue Frio

 

            Numa sociedade em que o medo é considerado “fraqueza” e mesmo coisas piores como “distúrbios” e até “doença mental”, talvez as “ordinárias” impressionem pelo sangue frio. Todas as noites, as nove, na Globo, e as 10h30, na Record, as atrizes Patrícia Pillar e Lucinha Lins provocam medo, indignação, revolta e até uma certa dose de admiração pelas vilãs Flora, em A Favorita (Globo) e Vilma, em Chamas da Vida (Record). As duas histórias são bem diferentes, mas passam por inveja, disputas pessoais, ambição por riqueza e poder e outros ingredientes “clássicos”. Flora é uma assassina fria que já “apagou” três pessoas, tentou outros dois assassinatos e é movida pela inveja doentia que sente de Donatella (Claudia Raia), personagem que começou como uma perua vazia e fútil e se transformou na injustiçada doce e preocupada com o próximo. Vilma é incendiária, mãe relapsa, assassina e além de todos os crimes tenta convencer o filho Tomas a dar o golpe em Carolina, herdeira de uma fábrica de sorvetes.

           As armas das bruxas pós-modernas passam longe de vassouras e são muito mais letais do que simples maçãs envenenadas. Frau Herta (Ana Beatriz Nogueira) abusou de todas no remake de Ciranda de Pedra até se dar mal no “Zé fini” da trama quando foi envenenada por Natércio (Daniel Dantas), um bandido pior ainda. Laura Prudente da Costa (Claudia Abreu) em Celebridade foi outra vilã pra lá de clássica ao cometer todas as maldades: fraude, falso testemunho, roubo, assassinato e até prostituição e tráfico de drogas. Taís (Alessandra Negrini) em Paraíso Tropical foi pior ainda: o alvo de suas maldades era a própria família: avô, tio e a irmã-gêmea.

         Mas, alguma coisa mudou nas vilãs e bruxas que antes apenas davam sonoras gargalhadas e hoje morrem de medo de serem denunciadas e capturadas pelos representantes da lei e da ordem. Para isso até matam como fez Flora eliminando Maira (Juliana Paes) e Dr Salvatore (Walmor Chagas). Elas também se roem de despeito ao ver o bem sempre triunfar de um jeito e de outro, chegam as raias da loucura de ódio de ver que as rivais mesmo sofrendo perdas são capazes de dar a volta por cima, arregaçar as mangas, trabalhar, ou mesmo buscar um novo amor (é esse o caso da “sub-vilã” Céu com relação a Lara e Alicia ao ser condenada a um casamento de fachada enquanto as rivais se dão bem).

         As boazinhas já não são tão passivas como antigamente. Donatella luta para provar sua inocência e se vingar de Flora e todos os outros maus. Mas exemplo de que as coisas são bem diferentes nesses tempos pós-modernos estão nos desenhos animados. As pequenas Lindinha, Docinho e Florzinha (no original Bubbles, Buttercup e Blosson) as vezes rodam a baiana, extrapolam na pancadaria, fazem tramóias com bandidos ou usam pequenos truques que seriam inadimíssiveis em outras épocas. A heroína brasileira, Mônica, tem eternos seis anos de idade, é dentuça, parece o Ronaldinho, distribui coelhadas nos próprios amigos, mas defende sempre as boas causas. Prova que a novela, os filmes, os desenhos e os quadrinhos não imitam a moda e dispensam as Barbies.

          Mas, o estereótipo do mal continua dando Ibope. Gente corre para casa só para ver a maldade da bruxa da novela das seis e mesmo as candidatas a bruxa da Malhação, como Yasmin e Débora. Em outros tempos, as bruxas de histórias como Branca de Neve, Rapunzel, A Bela Adormecida, eram madrastas, fadas degeneradas ou senhoras feudais que abusavam do poder. Hoje, elas retratam um mal maior: a violência que está em toda parte e parece quase invencível e até mesmo “consentida” por alguns setores da sociedade.