Sobre perdas, danos e recuperações

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Fatima Dannemann

Relutei em ir assistir Manchester a beira-mar. Pelo trailler, achei que seria muito dramático e baixo astral. Dramático é, baixo-astral, em termos; mas tem um final que mostra que nem tudo está perdido nem nos piores momentos e que sempre haverá uma solução até para os problemas que parecem insoluveis.

Lee Chandler, mora num suburbio de Boston, vivendo de sub-emprego, quando é informado que seu irmão morreu e que ele precisa ir até Manchester (uma cidade costeira dos Estados Unidos e não a Manchester inglesa) cuidar de seu sobrinho adolescente Patrick. Nessa ida ele reencontra seus proprios fantasmas, traumas e lembranças e alem da perda do irmão precisa rever sua própria vida.

Não, isso não é um daqueles resuminhos de programação de cinema. Mas é uma forma de falar sobre o filme sem contar o filme que é impactante em todos os momentos principalmente pela atuação de Casey Affleck (o irmão talentoso de Ben que ganhou todos os premios da temporada vivendo lee) mas tambem pela atuação de Lucas Hedges que está impecável como Patrick.

Kenneth Lonerghan, que ganhou o Oscar de melhor diretor, fez uma verdadeira poesia com o filme. Tudo é parte da historia: personagens, cenários, e a belissima locação a beira mar com direito a penumbra dos filmes dramáticos. O oscar de melhor roteiro original tambem foi para Kenneth e a lista de premios que o filme faturou esse ano inclui alguns dos trofeus mais importantes do mundo como o Bafta e o Globo de Ouro.

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Porque não ganhou o Oscar de melhor filme? Bom, 2017 foi uma safra de filmes excepcionais. Manchester concorreu com o darling Lalaland, que ganhou 6 premios e mesmo sem ganhar o Oscar de melhor filme foi o grande vencedor do ano, com Estrelas Alem do Tempo, Lion, A qualquer custo, Até o ultimo homem, Fences e o vencedor Moonlight. Talvez porque tenha faltado no filme negros e drogados apesar de Lee provocar o incendio de sua própria casa justamente porque estava bêbado e chapado.

Manchester a beira-mar é um belo filme que merece ser visto e quem sabe até revisto. Tem muito a refletir sobre a temática do filme. Um menino que fica de repente sem o pai, é praticamente impedido de ver e morar com a mãe, tem um tio que não quer ser seu tutor justamente porque não sabe lidar com a própria dor de perder seus tres filhos por causa de sua própria irresponsabilidade. Há que refletir a dor de Randi, ex-mulher de Lee, o vazio das relações entre uma mãe e um filho que levaram anos separados. Coisas que podem acontecer com qualquer pessoa. Sim, vale cada tostão do ingresso. E Casey pode não ter o charme do irmão mais famoso, mas com certeza tem talento de sobra para uma longa carreira no cinema.

 

 

 

 

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