Branca de Neve: Veneranda senhora

21.12 – 71 anos do primeiro desenho animado em longa-metragem


Maria de Fatima Dannemann

Quem diria! A jovem princesinha dos lábios vermelhos como uma rosa, cabelos negros como ébano e pele branca como a neve é hoje uma veneranda senhora. Uma espécie de mãe de todas as princesas e heróis que apareceram nos desenhos animados de longa-metragem, Branca de Neve e os Sete Anões completa 71 anos nesse final de ano. Foi no dia 21 de dezembro de 1937, no Carthay Circle, em Hollywood, que Walt Disney apresentou o desenho pela primeira vez. Maravilhou os críticos e arrecadou milhões logo na primeira semana de exibição.
Ao ver a princesa cantando e dançando com Mestre, Dunga, Atchin, Zangado, Dengoso, Soneca e Feliz, ninguém poderia adivinhar que até chegar às telas o filme envolveu três anos de produção, 750 artistas, que redesenharam a história três vezes, 800 quilômetros de papel, 2 milhões de desenhos e muitas intrigas de bastidores. Uma delas, a de que Walt não gostava de ver ninguém parado e chegou a se mudar para o estúdio e dormir no divã do escritório só para fiscalizar melhor a produção.
Foi um outro conto infantil que animou Disney a levar a animação às últimas conseqüências naquelas tempos em que a depressão complicava a vida do cinema americano, obrigando exibidores a fazerem rifas e oferecerem programação com dois longas-metragens para atrair o público. Em 1933, Disney lançou o curta de animação Os Três Porquinhos. Já naquele tempo, o lançamento foi acompanhado de merchandising, com a venda de bonequinhos do lobo mau e os três porquinhos.
No ano seguinte, a América inteira cantava “who’s afraid of the big bad wolf” (que virou uma espécie de hino dos tempos da depressão), o filme começou a dar lucro e Disney conseguiu US$ 1 milhão para o estúdio. Então, começou a pensar no conto dos irmãos Grimm sobre a princesa enfeitiçada pela madrasta-bruxa por causa das intrigas do Espelho Mágico. Branca de Neve era, inicialmente, o projeto de um curta. O primeiro desenho em longa-metragem seria Alice no País das Maravilhas, mas um filme com ação ao vivo adiou o projeto por 20 anos (só veio a acontecer na década de 50) e o que seria um curta se tornou um projeto ambicioso e novo para a década.
Corria o ano de 1935, quando Walt Disney esboçou o argumento do filme, reuniu a imprensa e anunciou a produção. Para isto, o espaço físico do estúdio foi ampliado. Disney representou toda a história para a equipe, todos os funcionários aplaudiram. Só seu irmão, Roy Disney, viu com reservas o projeto, pensando na folha de pagamento: os salários pularam de US$ 20 para US$ 300, em média. Para garantir a produção, Disney prometeu horas extras e vantagens. No final, o filme consumiria US$ 1,7 milhão, mas a arrecadação das bilheterias mostraria que Disney estava certo em apostar no projeto.
Dave Hand foi o diretor do filme e Arthur Babbit o encarregado da animação da protagonista. Aí, aconteceu um pequeno incidente. A bailarina Marge Champion (na época Marjorie Belcher) foi contratada para posar no filme. Todos os dias ela se vestia de princesa e dançava para Babbit lhe filmar e desenhar. Os dois se apaixonaram, tiveram um caso e só não foram despedidos porque se casaram inesperadamente. Mesmo assim, o marido foi transferido para a animação da rainha má.
No final de 1937, o filme ficou pronto. “Depois que consegui dinheiro para o filme, pensei em mandar meus desenhistas para a escola. Estávamos lidando com coisas novas: o fluir do movimento, a ação e reação”, disse Disney, depois. Os mínimos detalhes foram estudados e os resultados, visíveis, de imediato. No final da primeira semana de exibição, já encabeçava a lista dos mais exibidos, juntamente com Jezebel, Robin Hood e Do Mundo Nada Se Leva. Sua primeira temporada rendeu US$ 8 milhões, nos tempos em que os ingressos custavam 25 cents.
Foi distribuído em 46 países, dublado em 10 línguas, músicas como Whistle While Your Work e Heigh Ho têm sido cantadas no original, ou dubladas, por gerações inteiras, desde então. Ganhou um Oscar especial (uma estátua grande e sete menores representando os anões) e abriu caminnho para uma verdadeira galeria de personagens, que continuou com Pinóquio, teve seu exemplar mais recente em Hércules e encantou as gerações mais novas com O Rei Leão.

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