Memória: John Lennon A bala não calou o ídolo ainda cultuado em todo o mundo

Imagine o mundo sem John Lennon e nunca teria havido os Beatles. Imagine o mundo sem os Beatles e nunca haveria um submarino amarelo, ou quatro rapazes do alto de uma montanha gritando Help. Mas, um adolescente louco imaginou o mundo sem Johnn e calou a voz do compositor e poeta em plena luz do dia, com alguns tiros, por amor a Jodie Foster. Hoje, pouco mais de duas décadas depois de sua morte, em 8 de dezembro de 1980, o criador dos Beatles ainda é cultuado no mundo inteiro como um messias da era pop.

 

Maria de Fátima Dannemann

 

 

        Manhã em Liverpool, alguém mostra um parque e diz: “Strawberry field, onde John e Paul criaram a música Strawberry fields forever”. Manhã em Nova York, alguém mostra uma área no Central Park e diz: “strawberry field, lugar que inspirou John e Paul e criar a música Strawberry fields forever”. Qual o correto, qual o errado, não se sabe. Única certeza, Liverpool e Nova York estiveram ligados a vida de John Lennon, o cérebro e criador do maior grupo pop-rock de todos os tempos, The Beatles, como seu berço e seu túmulo. Na cidade da ilha européia, Inglaterra, John nasceu, cresceu, reuniu os Beatles. Em Nova York, John recolheu-se depois do fim do grupo, viveu com Yoko Ono e foi assassinado na porta do prédio onde morava.

        Menos de três décadas se passaram entre a ingênua baladinha rocker Please,please-me e a intensa Woman, hit de seu ultimo disco. Mas, entre o final dos anos 50 e o começo dos anos 80, John e seus companheiros Paul Mc Cartney, George Harrison e Ringo Star tiveram uma vida intensa. Saíram dos bairros portuários de Liverpool diretamente para o Palácio da Rainha, disseram ser mais populares que Jesus Cristo, fizeram vivências com guru indiano quando isto ainda não era moda e, supresa das surpresas: separaram-se no auge da fama virando mito para sempre.

 

História

 

      Corta!!! Para entender John Lennon é preciso voltar muito atrás no tempo. Final da guerra. Liverpool arrasada e pobre. Nasciam, separadamente e em anos distintos John, Paul, Ringo e George (também já falecido). Nasciam também Pete Best, o famoso quinto beatle que ainda vive, em algum lugar da Inglaterra, sem tocar ou cantar e afastado da música, e Stu Sutcliff, o bonitão, que entrou em reta de colisão com Paul por causa de uma namorada alemã, ficou em Hamburgo e morreu prematuramente de hemorragia cerebral enquanto os Beatles, com Ringo e sem Pete, seguia o caminho da fama.

John tinha pai desconhecido e a mãe é o que bem poderíamos classificar como “porraloca”. Foi criado pela Tia Mimi e, como todos os outros beatles, viveu tempos de dureza no período pós-guerra. John gostava de música, juntou os outros amigos e formou o Quarrymen tocando no cavern clube. Alguém sugeriu outro nome e Beatles junta besouro (beetle) com a cultura beatnik em moda nos anos 60. Foram a um show em Hamburgo, gravaram um disco na Alemanha, ocorreram as mudanças. Stu ficou com a namorada, Pete foi afastado, Ringo entrou na bateria. Descobertos pelos produtores gravaram o primeiro disco.

       E o resto, toda a humanidade já sabe: de repente, aqueles quatro cabeludos, com terninhos iguais cantando canções ingênuas como “she loves me” ganhavam o mundo. E o cinema. Os reis do ieieie (a hard day’s night) que está sendo lançado em dvd foi o primeiro. Depois veio Help, com disco e acenando com alguma mudança no estilo musical do grupo. As baladinhas agradavam, claro, mas os rapazes estavam dispostos a vôos maiores. Yellow Submarine – disco e desenho animado absolutamente lisérgico – já adentrava um caminho que só anos depois outras bandas iriam trilhar.

As ousadias musicais tomaram o lugar das baladas. Um reggae no álbum branco, uma Eleanor Rigby com Paul cantando com quartetos de corda. Composições e estilos cada vez mais individuais. John e Paul de “estrelas absolutas”, George mais zen-intimista, e Ringo espertamente cantando, com voz  grave, ‘a little help from my friends”  mantendo-se em cima do muro e amigo de todos. Egos inflados, o grupo se despediu com Abbey Road. Depois disso ainda foi lançado um disco e filme, Let it Be, mas o quarteto de Liverpool não existia mais.

        De quem foi a culpa? As más línguas culpam Yoko Ono, segunda mulher de John, outras culpam Linda Eastman, mulher de Paul. Há quem jogue a culpa em George, cuja mulher, aliás, fugiu com Eric Clapton, seu melhor amigo, e que compôs para ela a inspiradíssima Layla. Culpados ou inocentes, os quatro foram seguir carreiras solo e estavam “na sua” quando John, ao voltar de um passeio com Yoko foi baleado na porta do Edifício Dakota, em Nova York, hoje ponto turístico exatamente por conta desse detalhe trágico. A bala pode ter matado a pessoa, mas o ídolo permanece e hoje Imagine, sua composição solo mais famosa, se torna um verdadeiro hino dos anos do desbunde, cantado até pelos “caretas” e amado até por quem nunca dormiu em sleeping bag ou nunca sonhou.

 

Maria de Fátima Dannemann – dRT 786

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